A MAC Cosmetics acaba de transformar o universo de Jean-Michel Basquiat em uma nova coleção de maquiagem que conecta arte, beleza e cultura pop. O lançamento recupera elementos visuais associados ao artista nova-iorquino e os leva para uma linha de produtos que mistura referências de pintura, cor e experimentação.

Entre os destaques estão batons, sombras em textura de pintura, produtos em formato de giz pastel e pigmentos, além de acessórios que ampliam a experiência para além da maquiagem. A coleção inclui o Matte Basquiat Lipstick, o Oil Effect Eye Paint, o Pastel Painting Eye + Face Chalk e o Pigment Powder.
A própria nomenclatura dos produtos reforça a relação com o trabalho de Basquiat. Tons como King Pleasure, Royal Blueprint, Basquiat Blue, Negative Space, Crown e Abstraction fazem referência ao vocabulário visual e ao imaginário construído pelo artista ao longo de sua carreira.

A colaboração chega em um momento em que a influência de Basquiat continua ultrapassando os limites das galerias e dos museus. Décadas depois de sua morte, seu trabalho segue sendo reinterpretado pela moda, pelo design e pela cultura contemporânea. Nos últimos anos, seu legado apareceu em colaborações com nomes como WACKO MARIA, Off-White e Albino & Preto, mostrando como sua linguagem permanece relevante para diferentes gerações.
Mais do que reproduzir suas obras, a proposta da MAC encontra no universo de Basquiat uma oportunidade para explorar a maquiagem como uma forma de expressão. A ideia aproxima o ato de pintar uma tela do ato de construir uma imagem sobre o próprio corpo — uma relação que combina naturalmente com a estética experimental do artista.


A coleção também reacende uma discussão recorrente quando o trabalho de Basquiat é transformado em produto: até onde uma colaboração comercial consegue preservar o espírito de um artista cuja obra frequentemente questionava poder, consumo, dinheiro e a própria lógica do mercado de arte?
Essa tensão acompanha praticamente todas as grandes colaborações envolvendo o artista. Em 2017, por exemplo, uma coleção de maquiagem da Urban Decay inspirada em Basquiat também foi alvo de críticas justamente pela contradição entre sua produção artística e a transformação de sua imagem em produto de consumo.
No caso da MAC, o resultado aposta justamente nesse encontro entre arte e beleza: transformar referências de um dos artistas mais importantes da Nova York dos anos 1980 em objetos que podem sair da tela e chegar ao cotidiano.
Basquiat continua sendo uma linguagem. Agora, essa linguagem também chega ao nécessaire.


