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MODA, ESTILO E ENVELHECIMENTO

Entre padrões de beleza, diferenças geracionais e novas formas de representação, a relação da moda com a idade ainda está em discussão.

“Ah, essa roupa não é mais para a minha idade.” Em algum momento, quase todo mundo já ouviu ou até disse algo parecido. Mas quem foi que decidiu que certas roupas têm prazo de validade? Que existe uma idade para usar determinada cor, mostrar o corpo, ousar no visual ou mudar completamente de estilo?

Durante muito tempo, a moda ajudou a estabelecer o que seria apropriado vestir em cada fase da vida. Comprimentos, modelagens, cores e até cortes de cabelo foram associados a determinadas faixas etárias. Embora essas convenções tenham perdido força, a ideia de que envelhecer exige uma mudança na maneira de se apresentar ainda aparece no cotidiano.

A questão se torna mais evidente quando observamos como homens e mulheres são representados. Enquanto a maturidade masculina costuma ser associada à experiência e à sofisticação, o envelhecimento feminino ainda enfrenta cobranças relacionadas à aparência e à preservação da juventude.

O peso de envelhecer

Cabelos grisalhos, rugas e outras marcas do tempo não recebem necessariamente o mesmo tratamento quando aparecem em homens e mulheres. No imaginário popular, um homem de cabelos brancos pode ser considerado charmoso ou elegante. Para muitas mulheres, assumir os fios naturais ainda significa contrariar expectativas estéticas construídas ao longo de décadas.

A própria indústria da moda tem participação nessa diferença. Historicamente, campanhas publicitárias, editoriais e passarelas privilegiaram rostos jovens, mesmo quando as roupas eram destinadas a consumidoras de diferentes gerações.

Esse cenário, no entanto, vem encontrando novas formas de representação.

Em 2024, a estilista Batsheva Hay apresentou em Nova York um desfile composto exclusivamente por mulheres acima dos 40 anos. A escolha chamou atenção não apenas pela idade das modelos, mas pela maneira como elas ocuparam a passarela usando peças que não tentavam enquadrá-las em uma ideia convencional de maturidade.

A presença de mulheres mais velhas nas passarelas não resolve, por si só, o etarismo na indústria. Mas coloca em discussão quem costuma ser escolhido para representar a moda e quais corpos continuam fora dessas imagens.

O estilo também muda

Envelhecer envolve transformações na maneira como nos relacionamos com o próprio corpo, com a imagem e com aquilo que escolhemos vestir. Algumas pessoas passam a valorizar conforto e praticidade. Outras encontram na maturidade mais liberdade para experimentar peças que antes não usariam.

Não existe uma experiência única.

O fotógrafo Ari Seth Cohen explora essa diversidade desde 2008, quando criou o projeto Advanced Style. Fotografando pessoas mais velhas nas ruas de Nova York, Cohen construiu um registro de estilos pessoais que dificilmente apareciam nas campanhas e editoriais de moda da época.

Entre combinações extravagantes, peças vintage, acessórios e produções mais discretas, o projeto mostra como o guarda-roupa também pode funcionar como um registro de experiências, referências e escolhas acumuladas ao longo da vida.

O interessante é perceber que essas pessoas não se vestem necessariamente para parecer mais jovens. Muitas desenvolveram uma linguagem própria, construída durante anos, e continuam experimentando a partir dela.

Beleza, desejo e maturidade

A relação entre envelhecimento e aparência também passa pela maneira como a sociedade entende beleza e sensualidade.

Existe uma diferença entre reconhecer a beleza de alguém que envelhece e exigir que essa pessoa continue parecendo jovem para ser considerada bonita. A primeira possibilidade amplia as referências. A segunda apenas mantém o mesmo padrão sob outra aparência.

Essa discussão é especialmente importante para as mulheres, que ainda convivem com expectativas contraditórias: envelhecer naturalmente, mas sem aparentar a idade; manter a elegância, mas evitar determinadas roupas; preservar a sensualidade, desde que ela corresponda ao que é socialmente considerado adequado.

Ao mesmo tempo, a maturidade pode trazer outra relação com a própria imagem. O conhecimento do corpo, as preferências pessoais e a experiência de vida passam a influenciar escolhas que nem sempre dependem das tendências do momento.

Isso não significa que todas as pessoas se tornem mais seguras com a idade. Significa apenas que o estilo continua sendo construído, independentemente da fase da vida.

A discussão sobre moda e envelhecimento está menos relacionada ao que alguém deveria deixar de vestir e mais à liberdade de continuar fazendo escolhas.

Afinal, se nossas referências, interesses e experiências mudam ao longo dos anos, não há razão para imaginar que a relação com a moda deva permanecer a mesma — ou obedecer a uma idade determinada.

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