De Belo Horizonte para São Paulo e, agora, para outros países da América Latina, o artista reflete sobre o início na música, a pressão dos números e a decisão de explorar novas versões de si mesmo.
Aos 26 anos, CJota vive um momento de transformação. Depois de construir sua trajetória dentro do trap e consolidar uma identidade musical reconhecida pelo público, o artista mineiro se prepara para apresentar uma nova fase, marcada pela experimentação sonora, pela maturidade e por uma relação diferente com as expectativas que cercam sua carreira.
Em conversa no YRY Cast, CJota revisita suas origens em Belo Horizonte, relembra a mudança para São Paulo com apenas R$ 100 no bolso e fala sobre o processo de encontrar liberdade para criar além das fórmulas que ajudaram a construir seu sucesso.
DA IGREJA AO TRAP
Nascido e criado em Belo Horizonte, CJota encontrou na música uma forma de expressão muito antes de enxergá-la como profissão. Desde os cinco anos, cantava na Assembleia de Deus, onde permaneceu envolvido com a música durante boa parte da infância e da adolescência.
Na época, seu principal sonho era se tornar jogador de futebol. O canto fazia parte da rotina, mas ainda não representava um projeto de carreira.
Aos 17 anos, quando percebeu que o futebol já não seria seu caminho, recebeu o convite de um amigo do bairro Serra Verde para gravar uma música. Sem recursos para custear a produção, contou com o apoio do parceiro, que acreditava em seu talento.
Dessa experiência nasceu o grupo Segundo Piso, um dos primeiros passos de uma identidade musical que misturava hip-hop, trap e influências melódicas.
O artista reconhece que os anos cantando na igreja foram fundamentais para desenvolver sua técnica vocal e sua relação com a música.
R$ 100 NO BOLSO E UM SONHO
A aproximação com artistas e MCs ligados às batalhas de rima de Belo Horizonte abriu caminho para uma viagem a São Paulo, onde CJota começou a frequentar estúdios e estabelecer novas conexões.
Ele relembra que chegou à cidade sozinho, com poucos recursos e a convicção de que precisava apostar na música.
Foi durante uma dessas primeiras experiências em estúdio que gravou “Call 911”, faixa que se tornaria um dos marcos de sua trajetória.
Segundo o artista, a música foi apenas a quarta que havia gravado na vida. A espontaneidade daquele momento, quando ainda não existia uma preocupação tão grande com resultados, tornou-se uma característica que ele buscaria recuperar anos depois.
O sucesso, no entanto, trouxe novos desafios.
QUANDO A FÓRMULA DO SUCESSO SE TORNA UM LIMITE
Ao longo da conversa, CJota reflete sobre a relação entre criatividade, números e expectativas do público.
O artista reconhece que, em determinado momento, passou a reproduzir estruturas musicais que já haviam funcionado. A busca por resultados, comum em um mercado orientado por métricas e tendências, acabou interferindo em sua liberdade criativa.
“Não tô mais preocupado em fazer a música que viraliza. Eu já estive preocupado com isso.”
A declaração resume uma mudança importante em sua maneira de enxergar a carreira.
Depois de anos construindo uma base de fãs e consolidando seu espaço na música, CJota acredita ter chegado ao momento de assumir novos riscos.
“Eu já fiquei um tempo meio fadado, meio até preso na parada que eu próprio criei.”
Para ele, evoluir significa também permitir que o público conheça outras dimensões de sua identidade artística.
UMA NOVA VERSÃO DE CJOTA
Entre os projetos discutidos no episódio estão um trabalho colaborativo com Pedro Luto e um novo álbum solo, apresentados pelo artista como parte de uma etapa diferente de sua carreira.
CJota antecipa mudanças que vão além da sonoridade, envolvendo também letras, estética visual, interpretação e processo criativo.
A proposta é explorar com mais profundidade influências que sempre fizeram parte de sua formação, como soul, R&B e gospel, sem abandonar a importância do trap em sua trajetória.
Uma gravação ao vivo de músicas já lançadas também aparece como símbolo dessa transição. Ao revisitar seu repertório acompanhado por uma banda, o artista encontrou uma oportunidade de celebrar o caminho percorrido e experimentar novas possibilidades para sua voz.
“Eu tenho várias versões de mim. E a versão que eu acho que eu mais gosto é a que eu vou apresentar agora.”
Mais do que buscar uma nova fórmula, CJota quer construir uma obra que represente seu momento atual.
O PRÓXIMO PASSO ESTÁ ALÉM DO BRASIL
A expansão internacional também ocupa um espaço importante nos planos do artista.
Durante o episódio, CJota fala sobre sua conexão com o Chile, país onde já realizou apresentações e desenvolveu colaborações musicais.
Entre elas está “Misteriosa”, parceria com Young Sista, que, segundo ele, alcançou aproximadamente 30 milhões de reproduções.
O artista também menciona uma colaboração com Benja Valencia e o interesse em ampliar sua presença no mercado latino-americano, inclusive gravando em espanhol.
Embora reconheça o Brasil como sua casa, CJota vê na circulação por outros países a oportunidade de alcançar novos públicos e desenvolver diferentes possibilidades artísticas.
FÉ, PROPÓSITO E IDENTIDADE
A conversa termina retornando ao ponto de partida de sua história: a fé.
CJota conta que a espiritualidade permanece presente em sua rotina, nas decisões profissionais e na maneira como interpreta sua trajetória.
Para o artista, acreditar em um propósito não significa apenas imaginar um futuro, mas agir para construí-lo.
A relação com a música, iniciada ainda na infância dentro da igreja, continua sendo uma das principais referências para suas escolhas.
Entre a necessidade de se reinventar e o desejo de permanecer fiel à própria essência, CJota parece menos interessado em repetir o que já conquistou e mais disposto a descobrir até onde sua música pode chegar.
Assista à conversa completa com CJota no YRY Cast.








