Em conversa com Diego Ruahn, o rapper mineiro reflete sobre São Paulo, independência, reconhecimento, os novos caminhos da música e a busca por uma vida que não dependa apenas do sucesso profissional.
Depois de anos sendo quase impossível separar o artista da pessoa, Oreia começa a experimentar outra relação com a própria carreira.
No YRY Cast #06, o rapper conversa com Diego Ruahn sobre o momento que vive desde que deixou Belo Horizonte e se mudou para São Paulo. A cidade trouxe novas conexões, shows, entrevistas e a possibilidade de manter um projeto de lançamentos frequentes — mas também reforçou uma pergunta: até onde vale construir uma vida completamente orientada pelo trabalho?
UM RECOMEÇO MAIS ORGÂNICO
Oreia define o atual momento da carreira solo como um recomeço. Sem equipe, assessoria ou grandes estruturas de marketing, ele vem lançando seus trabalhos de maneira independente e tentando entender uma indústria em que uma música pode repercutir mais no Instagram do que nas próprias plataformas de streaming.
“Vou tentar criar o meu sistema ali, o meu jeito de entender.”
A discussão leva a um dos pontos centrais do episódio: a relação entre fazer arte, ser ouvido e precisar transformar essa produção em sustento. Para Oreia, existe desejo por reconhecimento, mas ele já não ocupa o mesmo espaço que teve em outros momentos da sua trajetória.
QUANDO O SONHO MUDA

Ao olhar para a indústria atual, Oreia reconhece que o futuro que imaginava quando criança já não existe da mesma maneira. Mas essa constatação não aparece necessariamente como frustração.
Natureza, animais, família, relacionamento e qualidade de vida passaram a dividir espaço com a música. Se antes a carreira exigia uma entrega quase absoluta, hoje existe uma tentativa consciente de construir outros lugares de felicidade.
“Hoje em dia eu não tô correndo, tô andando. Não tô parado, mas não tô correndo.”
GUSTAVO E OREIA

É perto do fim da conversa que essa mudança ganha sua definição mais pessoal.
Durante muito tempo, Oreia diz não ter percebido uma separação clara entre o artista e Gustavo. Agora, começa a construir essa distância e a depender menos emocionalmente da carreira.
“Porque eu sempre fui o Oreia. Nunca teve essa de personagem. Hoje em dia, o Gustavo está mais pra lá, o Oreia mais pra lá. Estou conseguindo separar mais.”
O movimento não significa abandonar ambição ou se contentar com menos. É uma mudança na maneira de medir aquilo que importa.
Casa, família, saúde, seus cachorros, espiritualidade e a possibilidade de estar perto da natureza aparecem entre as coisas que hoje sustentam sua ideia de felicidade.
No YRY Cast #06, Oreia e Diego Ruahn atravessam música, cidade, internet, reconhecimento e futuro para chegar a uma discussão maior: como continuar criando sem permitir que a carreira se torne toda a sua identidade.
Essa direção também diferencia bem o episódio dos anteriores: o centro aqui não é “como Oreia chegou até aqui”, mas como ele está aprendendo a existir para além do Oreia.
















