Depois de 21 anos vestindo a camisa da Argentina, Lionel Messi encerra sua trajetória pela seleção com gol, duas assistências e uma última noite no Monumental.
Dessa vez, o resultado era o que menos importava.
Na noite de 6 de outubro, mais de 85 mil pessoas ocuparam o Estádio Monumental, em Buenos Aires, para assistir pela última vez a Lionel Messi com a camisa da seleção argentina. Aos 39 anos, o camisa 10 encerrou uma história iniciada em 2005 e que atravessou derrotas, cobranças, recordes e a conquista que redefiniu sua relação com o próprio país: a Copa do Mundo de 2022.
UMA ÚLTIMA VEZ
O adversário foi Benin. A Argentina venceu por 3 a 0, mas a partida funcionou sobretudo como uma celebração.
E Messi ainda encontrou uma última maneira de transformar a despedida em futebol: deu duas assistências e marcou, de pênalti, o último gol da noite — e o 126º de sua carreira pela seleção.
Ao final, vieram abraços, homenagens, drones sobre o Monumental e um estádio inteiro tentando processar a ausência que começaria a partir dali.
Messi deixou o campo como o jogador que mais vezes vestiu a camisa da Argentina, com 208 partidas, além de encerrar a trajetória como maior artilheiro da história da seleção.
DA COBRANÇA À CONSAGRAÇÃO
A relação entre Messi e a seleção argentina nunca foi simples.
Durante anos, cada atuação pela Albiceleste era inevitavelmente comparada ao que ele fazia pelo Barcelona. Vieram finais perdidas, críticas e até uma primeira aposentadoria da seleção em 2016.
O desfecho, porém, mudou completamente essa narrativa.
Messi conquistou a Copa América em 2021, a Finalíssima em 2022, a Copa do Mundo no Catar no mesmo ano e voltou a levantar a Copa América em 2024. O jogador que durante tanto tempo carregou a cobrança de não conseguir repetir com a Argentina aquilo que fazia pelos clubes terminou sua trajetória como capitão de uma das gerações mais vitoriosas da seleção.
O FIM DE UMA ERA
A despedida também carregava um peso pessoal. Emocionado, Messi lembrou do pai, Jorge, falecido em agosto, e falou sobre o orgulho de ter defendido seu país por mais de duas décadas.
Talvez seja justamente aí que sua história com a Argentina encontre o fechamento mais simbólico.
Messi estreou pela seleção principal em 2005 e precisou de apenas alguns segundos para ser expulso. Saiu daquele primeiro jogo em lágrimas.
Vinte e um anos depois, as lágrimas apareceram novamente.
Mas, dessa vez, havia um Mundial, duas Copas América, uma Finalíssima, 208 partidas e uma geração inteira que cresceu vendo o número 10 nas costas de Lionel Messi.
Por muitos anos, a Argentina esperou que Messi lhe desse alguma coisa.
Na última noite, foi a Argentina quem simplesmente disse: gracias, Leo.


