No novo episódio do Retrato Falado, Marina Miglio, vocalista da banda Lamparina, compartilha uma conversa profunda sobre música, criatividade e os impactos da internet na forma como as pessoas vivem, se relacionam e consomem arte atualmente.
Nascida em Belo Horizonte e criada entre a capital mineira e Itambé do Mato Dentro, Marina revisita sua trajetória até a música se tornar profissão. Mas o centro da conversa vai além da carreira artística: a cantora reflete sobre como o universo digital transformou completamente a experiência de ser artista — e de ser humano.

“Hoje parece que você tem que ser blogueiro antes de ser músico”, comenta.
Ao longo da entrevista, Marina fala sobre o desconforto com a necessidade constante de exposição nas redes sociais e como isso afeta não só os artistas, mas também a maneira como as pessoas se conectam umas com as outras.

A vocalista da Lamparina também questiona a velocidade com que tudo é consumido hoje. Para ela, a internet criou uma urgência permanente que dificulta viver o presente, absorver experiências e até apreciar arte com profundidade.

“Quando você vê, já ficou 40 minutos rolando o feed e nada realmente te marcou.”
Durante a conversa, Marina ainda relaciona esse comportamento ao próprio processo criativo. Segundo ela, compor exige sensibilidade, pausa e conexão com a vida real — justamente o contrário da lógica acelerada das redes.

“A gente está buscando uma coisa que nem sabe o que é.”
Outro ponto forte do episódio é a reflexão sobre a superficialidade do consumo atual. Marina fala sobre como momentos simples vêm sendo substituídos pela necessidade de registrar tudo antes mesmo de viver.
“Você chega num lugar lindo e a primeira coisa que faz é tirar uma foto, ao invés de olhar o lugar.”
Entre reflexões sobre saúde mental, indústria musical e hiperconectividade, o episódio constrói um retrato sincero sobre uma geração cansada da velocidade, mas ainda presa a ela.

Mais do que uma conversa sobre música, o novo Retrato Falado se transforma em um debate sobre presença, excesso de informação e a dificuldade contemporânea de criar conexões reais.
Direção: Diego Ruahn / Produção: Marcela Arrais / Ensaio: Natália Menin / Making off: Beatriz Berger
Apoio: Festival de Filmes Vencidos & Trinta e um









