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Retrato Falado — Gustavo Giglio

Gustavo Giglio é um desses nomes difíceis de rotular — e talvez seja esse o segredo. Publicitário, músico, empreendedor, colecionador e storyteller por essência, ele construiu uma trajetória em que paixão, cultura e estratégia se misturam como um blend bem feito de café: forte, memorável e com personalidade.

Nascido e criado em São Paulo, Giglio viveu de perto a efervescência da cultura urbana dos anos 90. Ainda garoto, frequentava a Galeria do Rock com o pai e os irmãos.

A gente ia lá limpar disco, ver roupa, tênis, skate… Era um programa de família”.

A Galeria não era só uma vitrine: era escola. Foi lá que montou sua primeira banda, colou em anúncios de músicos procurando músicos e mergulhou no universo dos bootlegs — gravações raras e preciosas de bandas ao vivo, numa era pré-Napster e bem antes do YouTube.

Entre discos, HQs, games e camisetas de banda, Giglio entendeu cedo que queria mais do que apenas consumir cultura. Queria fazer parte da engrenagem.

A paixão sempre veio antes do business. Sempre fui curioso sobre como tudo aquilo funcionava”.

Esse olhar inquieto o levou à publicidade — e mais do que isso, ao universo das collabs e do branded content, muito antes desses termos virarem buzzwords.

A grande virada veio com a epifania nerd de que George Lucas abriu mão de royalties do primeiro Star Wars em troca do controle sobre os produtos licenciados.

Quando entendi o poder do merchandising, pirei. O cara trocou parte da bilheteria pelos bonequinhos. E fez história”.

Giglio passou por projetos emblemáticos como a Trip, criou o coletivo de cultura e inovação Update or Die, esteve na linha de frente da Malik Co. e participou ativamente do crescimento da CCXP, a maior comic con do mundo fora dos EUA. Em todos esses lugares, seu faro era o mesmo: aproximar marcas e pessoas através de narrativas com alma.

Mas talvez nenhum projeto traduza tanto seu ethos quanto o Coffee Hunter — sua marca de cafés especiais que nasceu do amor genuíno por café, design e lifestyle. “Café é lubrificante social. É sobre pausa, troca, afeto”. Mais do que vender grãos selecionados, o Coffee Hunter cria experiências sensoriais e visuais: lançou cafés de safra limitada, collabs com artistas como Espeto, uma linha de óculos com a Evoke, pôsteres colecionáveis e até camisetas — tudo embalado com o cuidado de quem entende que branding é arte.

E se o palco do branding é um, o da música é outro — mas tão importante quanto. À frente da banda Kisser Clan, Giglio realizou um sonho de infância: tocar no Rock in Rio. “Eu via os primeiros festivais com meu pai na sala de casa. Estar lá, anos depois, com minha banda, foi uma das experiências mais emocionantes da minha vida”.

Ainda assim, ele se recusa a viver de passado. Curioso incansável, está sempre antenado no que as gerações mais novas estão dizendo — e fazendo.

Se você se fecha pra isso, vira peça de museu. O desafio é se manter relevante sem perder a essência”.

Hoje, mais maduro e com uma trajetória que fala por si, Giglio entende que o sucesso não está em correr atrás de tudo — mas sim em seguir movido por propósito, mantendo os pés na cultura e o olhar no futuro. “A gente sempre quer mais, mas se você ama o que faz, o caminho fica mais leve”.

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