Valentino Garavani
O homem que transformou elegância em assinatura eterna

Poucos nomes na história da moda alcançaram o status de símbolo absoluto de elegância. Valentino Garavani não apenas vestiu algumas das mulheres mais influentes do século 20 como também construiu um vocabulário visual próprio — atemporal, reconhecível e profundamente ligado à ideia de glamour clássico.
Nascido em 11 de maio de 1932, na pequena Voghera, na Itália, Valentino Clemente Ludovico Garavani demonstrou interesse pela moda ainda na adolescência. Sua formação começou na École des Beaux-Arts e na Chambre Syndicale de la Couture Parisienne, em Paris, onde absorveu os códigos da alta-costura francesa antes de retornar à Itália para fundar sua própria maison.

Em 1960, ao lado do sócio e parceiro de vida Giancarlo Giammetti, Valentino inaugurou sua casa de moda em Roma. O reconhecimento internacional veio poucos anos depois, especialmente após um desfile em Florença, em 1962, que colocou seu nome definitivamente no radar da elite da moda global. A partir dali, Valentino se tornou sinônimo de luxo refinado, linhas puras e uma feminilidade sofisticada.
O vermelho que virou identidade

Se há um elemento capaz de resumir o legado do estilista, ele atende por um nome próprio: Vermelho Valentino. Mais do que uma cor, tornou-se uma assinatura emocional e estética. Inspirado, segundo o próprio criador, pelas mulheres italianas e pela intensidade do cinema e da arte, o tom passou a representar paixão, poder e sensualidade sem excessos.
Vestidos longos, cortes impecáveis, tecidos nobres e uma atenção quase obsessiva aos detalhes definiram seu trabalho. Valentino acreditava que a elegância verdadeira não precisava gritar — ela deveria se impor com naturalidade.
A moda das grandes mulheres
Ao longo de sua carreira, Valentino vestiu algumas das figuras mais icônicas do século: Jackie Kennedy, Audrey Hepburn, Elizabeth Taylor, Sophia Loren, Diana, Princesa de Gales, além de gerações mais recentes de atrizes e socialites. Seu trabalho transitava com facilidade entre o tapete vermelho, a alta sociedade e o imaginário do cinema.
Mais do que criar roupas, Valentino construiu uma imagem de mulher: segura, refinada, clássica — uma elegância que resiste ao tempo.
Do império à despedida
Em 2007, Valentino anunciou sua aposentadoria da direção criativa da maison que leva seu nome. Seu último desfile de alta-costura, apresentado em Paris em janeiro de 2008, foi um evento histórico, marcado por emoção, reverência e reconhecimento de uma carreira sem paralelos.
Embora tenha se afastado da criação, sua influência permaneceu viva. A marca Valentino seguiu novos caminhos criativos, mas sempre dialogando com os códigos estabelecidos por seu fundador: beleza, precisão e romantismo.
Um legado eterno
Valentino Garavani não revolucionou a moda por meio de rupturas radicais. Sua revolução foi silenciosa: preservar a elegância em um mundo em constante mudança. Em tempos de tendências efêmeras, seu trabalho permanece como um lembrete de que o verdadeiro luxo está na permanência.
Valentino não criou apenas vestidos. Criou uma ideia de beleza que atravessa gerações — e continua desfilando, intacta, no imaginário da moda.





