A Nike concluiu, de forma silenciosa, a venda de sua subsidiária de tênis virtuais RTFKT em 17 de dezembro de 2025, marcando uma saída definitiva do mercado de NFTs e colecionáveis digitais ancorados em blockchain. O comprador não foi revelado, assim como os termos financeiros do acordo, reforçando o caráter discreto do desinvestimento.

A transação encerra um experimento de aproximadamente quatro anos que começou em 2021, quando a Nike adquiriu a RTFKT como parte de sua aposta agressiva no metaverso, Web3 e na convergência entre cultura sneaker, moda digital e ativos colecionáveis. Na época, o movimento posicionou a marca na vanguarda da inovação digital, com lançamentos que movimentaram milhões de dólares e atraíram uma nova geração de consumidores cripto-nativos.
A venda acontece cerca de um ano após a Nike já ter sinalizado o enfraquecimento das operações digitais da RTFKT. Sob o comando do atual CEO Elliott Hill, que assumiu no final de 2024 com a diretriz estratégica “Win Now”, a companhia iniciou um processo amplo de enxugamento de iniciativas fora do core do negócio. A nova gestão prioriza o retorno ao desempenho atlético, à inovação em produtos físicos e à reconstrução de parcerias tradicionais no atacado — como Foot Locker e outras grandes redes varejistas — deixando para trás apostas consideradas altamente especulativas.
Essa guinada estratégica ocorre em paralelo à desaceleração global do mercado de NFTs, que perdeu relevância e valor após o boom entre 2020 e 2022. O segmento passou a enfrentar forte ceticismo de consumidores e investidores, além de desafios regulatórios e jurídicos. Em abril de 2025, a Nike foi alvo de uma ação coletiva movida por investidores da RTFKT, que alegaram que o encerramento dos serviços Web3 da marca teria provocado uma desvalorização abrupta dos ativos digitais, caracterizada no processo como um possível “rug pull”.
Em comunicado breve, a Nike confirmou a transição da RTFKT para um novo proprietário, descrevendo o momento como um “novo capítulo” para a comunidade construída em torno da marca digital. Ainda assim, a decisão de não divulgar detalhes do acordo reforça o esforço da empresa em virar a página de sua fase blockchain sem prolongar o debate público.
Com a venda, a Nike parece traçar uma linha clara sobre sua incursão no universo Web3. A marca volta a concentrar energia no playbook que consolidou o Swoosh como potência global: performance esportiva, inovação tangível e domínio cultural através de produtos físicos. O futuro da RTFKT agora segue fora da órbita da Nike — e o mercado observa se essa saída marca apenas um hiato ou o encerramento definitivo da relação entre grandes marcas esportivas e o hype cripto.





